quarta-feira, 27 de maio de 2009

Viva Marrakech!

Conhecer Marrakech, viver essa cidade, foi uma experiência única. Marrakech ou Marraquexe é uma mistura de sensações! A cidade é toda ocre, muitas ruas sem calçamento, muitas pessoas transitando - não ser atropelada lá é uma conquista porque bicicletas, motos, cavalos, pessoas e vendedores disputam as pequenas ruas. A cidade parece um mercado gigante, muitas lojinhas vendendo tapetes, lenços, copos de chás, bules, luminárias, roupas, mas não fica só nisso. Há muita história na cidade e muita cultura pelas ruas. É triste que as construções históricas estejam deterioradas, talvez a única em boa conservação seja a Mesquita La Kouotoubia, que tem uma grande torre que pode ser vista a distância. A arquitetura árabe é bem discreta. A cidade oferece várias atrações, como jardins, palácios, túmulos da dinastia sádida... Conhecemos o Palácio Bahia, lindo em seus detalhes e azulejos.

Marrakech, antigamente, era dentro da Medina. Hoje é uma grande cidade, ultrapassando os limites do muro da Medina. Passamos quase todo o tempo dentro da Medina, conhecendo o máximo que podíamos da cidade, da cultura e das pessoas. Saímos dos muros somente uma vez (e para voltar foi uma tarefa árdua) e nos deparamos com uma 'cidade grande'. Lojas de marca, Mc'Donalds, prédios, grandes hóteis...A única diferença de uma cidade grande é a inexistência (ou quase escassa) de semáforos, o que tornava o ato de atravessar ruas uma adrenalina!! Voltando para o coração da cidade, a medina: A praça 'Jema El Fnaa', é um espaço para desfrutar diversas bebidas, principalmente chás e suco de laranja (delicioso, por sinal), comidas (há várias tendas de comidas que lembram o ver-o-peso de Belém). Na noite há muitas atrações, como as serpentes encantadas pelas flautas, jogos, pessoas com roupas tipicas tocando diversos e diferentes instrumentos, muitas muçulmanas (ou imitações delas) fazendo tatuagens de rena nas mãos dos turistas, homens com pobres macaquinhos em coleiras...


Há alguns metros da praça está a mesquita la Koutoubia, o grande templo da cidade. Em algumas horas do dia, todos altos falantes, colocados no topo das mesquitas e em cima das casas, transmite uma oração, chamando as pessoas a irem para a mesquita orar. Sempre antes de orar ou tocar no Alcorão as pessoas lavam o rosto, as mãos e os pés. Passamos pela mesquita quando estava num momento de oração, haviam muitos homens (só homens). Nós, não muçulmanos, não podemos entrar nas mesquitas.
A cidade é cheia de rosas coloridas e árvores, principalmente palmeiras. É, também, um lugar místico. O formigueiro que são as ruas, a mistura de cheiros, de pessoas diferentes e o barulho constante dos vendedores tornam Marrakech muito atrativa!
Além dessa explosão de sensações, Marrakech é um choque de cultura. Ver mulheres usando burcas, algumas tapam tudo (exceto os olhos), a predominância de homens no comércio, a pobreza pelas ruas (muitos velhinhos e crianças pedindo dinheiro e vendendo coisas) nos faz refletir.

Evidentemente a diferença entre Marrocos e Europa é gigantesca A diferença é muito grande da Europa. E, outra, é a receptividade do povo marroquino. Apesar de pouco nos comunicarmos (a maioria só fala árabe e francês), as pessoas eram muito amáveis (nem todos) com a gente. Logo que chegamos, mostramos o endereço do albergue para uma jovem que estava numa parada de ônibus, então ela nos acompanhou até ele. Entre gestos e um pouco de inglês sobrevivemos a essa experiência. Um episódio engraçado foi com o moço que cuidava da portaria do albergue, nós não havíamos levado despertador e precisávamos acordar cedo nos dias, então falávamos para ele, apontado para o relógio, “seven, toc toc toc” hehe E, às sete horas da manhã ele batia na porta do nosso quarto! =) Termos viajado em três mulheres dificultou um pouco, porque tínhamos que ouvir piadinhas dos homens, algumas não entendiamos, mas outras em português e espanhol, sim... Mas, tirando as frases e os olhares (extremamente agressivos), foi tudo muito tranqüilo. Eles gravam a cara dos turistas, tanto que no último dia, quando passávamos pela rua, nos chamavam de espanholas ou brasileiras. Volto dessa viagem com muitas pessoas em minha memória, marroquinos que conheci que foram muito gentis. Me sentia no Brasil! Falando em Brasil, preciso contar minha alegria quando saí com a camisa do Grêmio e muitos marroquinos o reconheceram. Eles falavam: Grêmio, Brasil! Heheh
Falando em Grêmio, no dia em que estava com a camisa, um casal de namorados, também gremistas, foram até a gente para tirar uma foto! E depois, encontramos mais dois gremistas!!


Conhecia duas 'lendas' de Marrakech: Uma, que eles comiam cérebro de macaco. Não sei se é verdade! Só vi sendo preparado cérebro de cordeiro. A segunda é que eles trocam mulheres por camelos, ouvimos uma quando passamos por uma rua um homem fez uma brincadeira perguntando por quantos camelos nos trocariam.
Além de provar e sentir um pouco dessa encantadora cidade, experimentamos algumas coisas típicas, como tâmaras, tagine au poulet, o famoso chá... A única coisa que não foi possível provar foi a cerveja marroquina. Procuramos, mas dentro da Medina não é permitido beber, nem vender. E como sair da Medina, de noite é muito arriscado e longe, ficamos sem. Até encontramos uma cerveja, mas era sem álcool.
Assim foram os dois primeiros dias em Marrakech, explorando as ruas, conhecendo pessoas, comprando algumas coisinhas e nos encantando por aquela 'bagunça' toda! hehehe
Logo escreverei sobre o terceiro e último dia em Marrocos!

'Chucran' =)

Um comentário:

  1. Já não sei onde vi o v/ vídeo, mas fiquei com uma sensação, que é a seguinte: gostei muito de vos saber bem dispostas, alegres e humoradas; no entanto (pode até ser devido ao facto de eu ser portuguesa, e tudo isto se dever a uma pequena diferença cultura, é possível, não sei) também achei que havia ali uma certa postura de troça e desprendimento, de ligeireza e quase um fiozinho de desrespeito pela seriedade dos costumes deles. Talvez que raparigas estrangeiras não devessem andar a galhofar, de câmera em riste, por entre os autóctones noite adentro, a filmar tudo e todos, mulheres inclusive. Talvez que uma maior discrição e contenção fosse mais adequado. Desculpem-me, não queria por nada estragar a festa. Falo com sinceridade. Não sou dos que consideraram o documentário da Maitê Proença sobre portugal ofensivo, por ex. Achei banal, pouco útil mas ao mesmo tempo ingénuo e sem mal algum. Contudo, aqui, talvez por eu ter estado já do outro lado da linha, considero que, enfim!
    De resto, faço votos de que viagem muito mais e sempre com a amizade que a esta viagem vos levou.

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